Porque se de um simples amarrar de cabelos se pode escrever uma Odisséia, imagine que obra não se faria do camoniano cantar que aquela menina traz no conversar... E aquelas homéricas curvas, oh céus. Porque causaria um dantesco dano nos que percebessem as ondas sonoras que saem daquele sapatear descompromissado, que completa a obra. E o penteado daqueles cabelos é a soma que nos leva todos à lona.
O locutor desavisado locutor que ora foi flagrado rindo, devaneando com a sutileza primaveril daquele gargalhar só faz por explicar o porque transcorre sobre o tema, para os que ainda não se aperceberam, se aperceberem ... Por isso.
Porque o nosso bairro é o mais requisitado, todo canto da cidade vem andar por estes lados, querendo saber do passo da mocinha, por onde que ela vai, que horas que ela chega, até as ruas que eram ruas, agora são largas alamedas; por força maior de um tratado... Porque assim quando ela aparece, causa uma furiosa inveja nos ramalhetes, desata a euforia em toda a praça, fazendo querer assoviar o mais franciscano dos ambulantes...
Porque percebi que quando ela anda, carrega consigo o ritmo das rodas de samba, ela mesma se reivindica um posto de bamba. Bamba, aqui significa outra coisa, é o jeito que fica o nosso queixo vendo ela se cirandar daquele jeito. Criado na roda de mate quente, sabe logo que menina cheia de graça assim não tem por aqui, pode procurar no mais norte em Saran Grande na Cachoeira, que é a fronteira no norte deste país, ou então ver se tem mocinha assim lá pra perto do farol Chuí.
Por isso que tentar relatar em porquês as graças que nos da, de se acompanhar da estonteante figura, da helênica aventura que se pode transcorrer com o (com o perdão do neologismo), agraciante zunido de tal conversar, e mal sabe ela que a Ilíada seria livro de bolso, se todas as idéias que ocorrem fossem escritas ao se ver o saltitar daqueles calcanhares. Tomaria proporções bíblicas. Porque pode ser que todas essas palavras formem algo que não exista. Mas gostamos mais de pensar que sim.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Sobre o bairro, as proporções e o país que não existe
Postado por Luiz Antonio L. T. às 10:09
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