
O cotejo era contra o Siena, já rebaixado time da toscana, presa fácil para o então tetra campeão italiano, acompanhava o jogo no “Bar Calcio” junto com a torcida Curva Nord, tradicional torcida nerazurri, até então, eu não tinha time pra torcer naquela cidade, me encantava com os dois times milaneses.
Era um time só jogando, o outro estava ali como sparring, mas um sparring de bolsos cheios, A Roma lhes encheria a conta bancaria em caso de um cinza e salubre empate, que lhes daria o titulo nacional, a Inter agredia, agredia e ansiava, e o tento custava a aparecer, quanto mais se demorava pra tirar aquele incômodo zero do placar, mais a vitória, o titulo, o penta parecia distante. Os Nerazurri atropelavam o time de Siena, que devem ter dado um ou dois chutes perigosos durante todo o combate.
Quando os jovens, já sentiam a pressão do pequeno estádio Artemio Franchi, o capitão Javi Zanetti, recebeu um passe espirrado no meio campo, avançou, avançou como se fora um capitão em um campo de batalha, que deveras era, e com a paciência que faltava aos jovens e inexperientes, deu a ordem ao príncipe Milito para sentenciar a jogada, a partida, o campeonato. Milito recebe na entrada da pequena área cercado por três ou quatro toscanos, e finaliza, Curci, que outrora fizera milagres e contara com a sorte; dessa vez caiu. Gol.
A alguns kilometros dali, em Milão, nós, os nerazurri já embriagados com o gosto doce e suave do titulo, pulávamos, gritávamos, éramos campeões nacionais. Aquela “Vialle” mais parecia uma apoteose, eram cantos, sinalizadores, gritos, choro, tinha de tudo, tudo extravasado com o gol de Milito, que acalmava os ânimos que estavam em frangalhos com as noticias de que a Roma vencia em Verona.
Depois do tento, foi só esperar o colegiado terminar o jogo, e cantar pular, festejar, eu tinha escolhido meu time naquela cidade, e confesso, foi antes de ter ganho a Europa, depois de ter exorcizado o velho continente do domínio maligno, Internazionale de Milano campeã italiana, campeã européia, conquistava também o meu coração.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Siamo Noi!
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Em picadeiro inimigo

Antes de aquela partida começar, confessamos todos nós de branco que, acreditávamos em uma possível vitória, apesar do encontro ser em terras inimigas, havia um presságio de igualdade pra aquele cotejo. Mas a fase do inimigo é tão iluminada, que já começaram ganhando de 1x0, parece ironia, mas depois de dado o apito, antes mesmo de passar o entusiasmo angustiante do começo de um clássico, eles já venciam por 1x0. Xavi.
Depois da fúria inicial da partida, quando nos passou o estado de petrificação inicial, que nos acometera a um gol rival, já estávamos perdendo por 2x0, o jogo mais parecia uma roda de bobo, um show circense, onde nós éramos as cobaias, chegava a ser engraçado não fosse a humilhação que o domínio do time norte nos fazia passar, ao atento olhar do respeitável público, ao foco das câmeras, aos gritos de olé, ainda com um no máximo 2 quartos de jogo.
Os nossos nervos já estavam em frangalhos, a nossa integridade também, esquecemos da nossa elegância Real, e partimos para empurrões, safanões e pontapés... até que teríamos um pênalti, claro, gritante, e o larápio não assinalou, é o de menos. Na volta pro segundo tempo, com a doce ilusão que poderíamos tentar algum tipo de reação, já sofríamos o terceiro gol. Era um recital de futebol, uma lavada, um tapa de luvas na cara...
Nós seguíamos fazendo o que estávamos fazendo de melhor no relvado, distribuindo amostras gratuitas de pontapés, Sergio Ramos, Xabi Alonso, Khedira, Carvalho, quase o 11 inicial, ia reagindo a safanões o safanão emocional que estava tomando, a essa altura já deve estar uns 4x0 nesta cronológica narração deste lamentável encontro, Sergio Ramos já deve ter sido expulso por acertar o melhor chute que acertara na partida até então, só que este desferido nos tornozelos de Messi. E ter causado um desconforto gigante do tamanho da vergonha que estava passando, com os seus companheiros espanhóis da seleção.
O jogo terminou 5x0 para o rival do norte daquele país, e algumas semanas depois deste jogo, eles meteram mais 5 em outros adversários, e nós, vamos ganhando a migalhas na liga, esperando para que acordem os deuses, e nos ajudem nesta vingança terrena, e o nobre Morfeu que nos guarde para que pesadelos como esse não voltem mais a acontecer.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Sobre bairrismos, paráfrases e aquela moça
Deve ser uma chatice ser aquela moça, imagina só se o ano tivesse uma única estação, um repetitivo mês, pobre menina que não sabe o que é o frio de um inverno, ou a infindável monotonia de um agosto que parece durar o ano inteiro; No mundo dela é sempre verão, os dias dela são sempre Fevereiro! Basta o jeitinho dela andar,bonito de ver feito um dia daqueles de sol com o calor de Janeiro.
Pro diabo se estou soando maluco, exagerado desvairado, poeta medíocre, pierrot apaixonado, pro diabo! É o simples desfrutar de lhes descrever o admirável, são palavras ordenadas, pra transcorrer sobre a desordem causada pelo descarrilar da coreografia daquele rebolar (devaneio, admito), tão indiferente que nem se da conta de todo o estrago que aquele baile nos faz, e pra mim ela é linda demais ponto.
A nossa cronologia pouco importa. Lá, deve ser carnaval, pelo jeito que ela vem andando na calçada, com a elegância de uma porta bandeira, fisgando pelo balanço sincronizado do quadril, os marmanjos da avenida inteira, só pode ser carnaval... Para os desavisados que devam de estar se perguntando o que ela faz na quarta feira; explico de novo, a nossa cronologia pra ela pouco importa, tenham a obrigação de me corrigir, (se minto!), mas naquela menina qualquer estopa vira roupa de domingo.
Deveria ela ser embaixadora daquele lugar, (eu sei, o certo é embaixatriz, mas eu gosto mais de embaixadora), pois sendo eu um sulista irremediável; com sotaque, por tradição, confesso apreciador de um bairrismo de bar, defendo até outra terra pra poder olhar apoteótica mocinha caminhar! Ela faz todo mundo se sentir em Copacabana, com certeza, deva ser uma das inspirações pra garota de Ipanema, (a cronologia não faz sentido, ora bolas!).
E além do mais, você já sabe de onde ela é...
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
D'ale assalta o Olímpico

Tinha Gre-Nal lá pro Sul do Sul, lá onde o frio não vem de manso, vem com vontade, com chuva e com neblina, e era em um daquelas anoiteceres, que iria se disputar mais um cotejo de rivalidade irremediável que se tem por aquelas bandas, por aqueles pampas, os colorados se travestem de peles-vermelhas, sim pela cor da camisa, pela tradição guerreira que enfrenta a força revolucionária castellana que vem do outro lado do campo, os tricolores trazem consigo o espírito dos revolucionários.
Tudo se traduz em vermelho e tricolor naqueles 90 e poucos minutos que se joga o que se discutia a semana toda e vai ser discutido talvez até o próximo ano. O jogo começa com um Grêmio oprimindo e apertando contra as cordas um Internacional débil e assustado no relvado do Olímpico, o Tricolor agredia com golpes incisivos, trazendo consigo a iminência gritante de Gol. Até que por fim, Jonas desata a loucura naquele lugar, contemplado com um passe de Douglas, ele se coloca face a face com Pato, que acuado, só fez por se levantar e buscar a bola no fundo da sua goleira. O Grêmio agora dominava com um gol a mais, o Colorado ferido só comemora o final do primeiro tempo. E um tempo para respirar.
Não se sabe o que incorporaram os vermelhos, mas voltaram pro segundo tempo com as caras pintadas, fechadas, concentradas e compenetradas... Iriam deixar o que lhes restasse em campo. Para isso, Giuliano entra no time carregado com a eseperança de quem sempre angaria tentos mais que impressionantes, tentos importantes para o colegiado do Gigante da Beira-Rio...
D'Alessandro, é o nome que vamos memorizar pro restante deste relatório que não tem maiores compromissos com a realidade. D'Ale, mandou na segunda parte do confronto, parecia reger o jogo, o árbitro, as torcidas, Com a precisão de um maestro com sua batuta, da um passe milimétrico de precisão assustadora, o argentino pois Giuliano, aquele mesmo que só faz gol importante, em posição ideal para resgatar o então caça, agora caçador colorado. Um a Um. Foi então que com a segurança da igualdade, o Internacional se lançou para o ataque, e aconteceu o improvável:
Em uma épica jogada do 10 de vermelho, se desempatou a partida, ao receber a bola de uma cobrança de lateral do Capitão Colorado; Bolívar. D'Ale recebeu um golpe desferido por Souza antes que a bola chegasse a seus pés, fugindo da agressão do adversário, rolou solitária pra próximo da meia-lua tricolor, El Cabezón dentro de um reflexo quase felino, salta, escapa do segundo convarde golpe que receberia pelas costas e se opta para chutar a esférica que a pouco rolava solitária e estava esperando pra ir à algum lugar,o relógio marcava 41 minutos da segunda metade.
O chute de D'Ale foi se esgueirando em meio a uma floresta de canelas dentro da grande área, o que impossibilitou Vítor de ver que rumo o balão tomaria. Ingênuo goleiro tricolor, todos já sabiam que ele nada poderia fazer quando estivesse com a bola à vista, que passou como uma flecha rompendo mais que o gol, rompendo a carne tricolor, rompendo as gargantas coloradas. O Inter se planta no Olímpico, assalta o lugar, e volta pro Gigante não só com a vitória, que deveria ser escrita com v maiúsculo, mas com o orgulho intacto, inflado. É festa na tribo colorada: El Cholo, Pato, El Cabezón e toda a indiada só fazem por celebrar, o Gre-Nal é deles, e prova que não ta morto quem peleia...
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Canção pra Mediterrânea
Eu não me gosto assim, melancolia segue intratável, acumulando infortúnios, e à custa destas lamurias, vou-me re-escrevendo.
Sendo que todo o herói não existe sem uma musa, E que nenhum plebeu resiste a uma princesa, e eu prefiro viver na fantasia, deixar na saudade a chatice da realidade, e me esconder deste lado dos muros em que se tem você. Combina uma beleza vilã, que desnorteia e corrompe, com uma beleza doce, que comove e encanta. Que deixa detalhes de ilusão no meu mundo, que mais se parece jardim outonal, que se opta por ser triste, esperando a tua presença pelos lados deste quintal.
Tentando não dar muita bola para os sorrateiros acenos das sombras, debochando sem graça da faceta mais chata da distância, que alguns insistem em chamar solidão, eu não, chamo de jejum, de penitência, pra se meter com espécies de castas entidades que sim, só podem ter ascendido dos Jardins do Éden. Tem que ser em penitência.
Queria desfrutar, soar samba, sambar... Não soar esse tango, de doer de melancólico, só quero a sua beleza, estonteante, inebriante e com o perdão do neologismo, desapalavrante... Queria destronar essa tristeza, tirar da órbita essas deselegâncias que insistem em ser deselegantes com a minha decadência gritante e já notada, que fazem meus dias amanhecem escuros, e sem graça... Ave Maria por Deus!
O que me disseram todos os oráculos, um dia, que era pra eu olhar, e entender o que acontecia, me encantei tanto, e fui esquecer que a bruxaria, sempre entra no jogo da galhardia, batendo o pé pra minha moribunda bravura, levando tudo de bom, deixando só algumas nuvens escuras, o preto. Eu não entendo nada, tentando voltar pra aquela verdade, tentando sintonizar aquela música, pra você, vir cantando pra mim... e agente voltar a se sentir tão bem assim como já foi um dia...
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Tudo Verdade!
Foi tudo verdade. Eu me lembro do dia em que você me abraçava, me beijava, me sorria. Tudo Verdade. Que minava minha resistência com carinhos, que me cravejava de balas... de festim. Eu já pedindo por um árbitro, aquele nocaute não poderia seguir assim, era uma emergência, o tragam com urgência, mas nada escutou, ninguém testemunhou essa agressão a minha sanidade. Mas lhes garanto, foi tudo verdade.
Tudo verdade. O perfume que se oferecia, as historias de bruxaria, você duvidando das que eu contei, dizendo, “ave Maria” , foi verdade, pois me lembro da música que eu tava a ouvir, quando te encontrei, “ pro mundo inteiro acordar e agente dormir”, Foi a parte que eu mais gostei... a folia que foi aquele dia, você também se gostava, ensaiando a música, nem desafina, esta pronta já pra sambar e cantar na avenida.
Tudo verdade. Agente cantava até que a garganta agüentasse, tudo verdade, agente dava risada até que a vizinhança acordasse. Eu juro, foi tudo verdade. A maneira suave como parecia cantar as palavras que dizia, o jeito como se movia, ainda não acredito que era comigo aquilo que você fazia. Tudo verdade, a minha camisa que ela vestia, o desajeito de andar, tudo o que ela fazia, contra a minha resistência frouxa, parecia funcionar.
Mas senhores tudo foi verdade, o meu plano de mestre se desfez e nós ainda não estávamos nem perto da metade, me rendi. Meus joelhos torpes não conseguiam acompanhar o ritmo dos seus pés ligeiros, neste salão que não vai mais falar de baile, olhando e esperando deste lado, esperando pra limpar esse chão já empoeirado pra logo voltar a dançar, tudo verdade.
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